A crise climática, resultado do aumento das emissões de gases com efeito de estufa, tem causado impactos devastadores no meio ambiente, além de sérias consequências sociais e económicas, que vão desde eventos climáticos extremos mais frequentes ao aumento do nível do mar, ao comprometimento da segurança alimentar, a perdas na agricultura e às ameaças à biodiversidade.
Neste contexto, em que a urgência de ações efetivas é incontestável, os investidores desempenham um papel crucial, não apenas como financiadores, mas também como agentes impulsionadores dessa transformação.
Os investidores especializados em tecnologias climáticas, ou climatechs, têm um papel essencial na aceleração da transição energética, ao direcionar capital para tecnologias escaláveis, com soluções que reduzam as emissões de gases com efeito de estufa, capturem carbono diretamente ou mitiguem os impactos das alterações climáticas. O seu capital, influência e compromisso com a inovação são fundamentais para impulsionar uma mudança transformadora em direção a um futuro mais seguro e sustentável para o planeta.
Diversas iniciativas estão a ser desenvolvidas com o objetivo de impulsionar uma transição energética eficiente, abrangendo várias áreas temáticas. Por exemplo, um número crescente de projetos envolvendo energias limpas tem apoiado a transição da matriz energética em todo o mundo, desde as tradicionais fontes de energia solar e eólica ao uso de novos materiais, soluções offshore (flutuantes nos oceanos), hidrogénio verde e outras, além de novos modelos de negócio que ampliem e democratizem o acesso a fontes de energia limpas.
Dado que as principais fontes de energia renovável são intermitentes, como a solar e a eólica, a integração com soluções de armazenamento torna-se essencial. As baterias tradicionais de ião-lítio e as desenvolvidas a partir de novos materiais, como as baseadas em hidrogénio, fazem parte destes projetos, que podem englobar desde baterias para veículos e residências até armazenamento em grande escala industrial.
As iniciativas relacionadas com a mobilidade elétrica também se expandem globalmente, promovendo mudanças no comportamento dos consumidores, na indústria automóvel e na infraestrutura. Além disso, há um foco crescente em soluções de mobilidade inteligente, como aplicações de transporte partilhado e sistemas de gestão de tráfego baseados em dados.
A agricultura regenerativa, uma abordagem inovadora que visa restaurar os ecossistemas agrícolas, promover a saúde dos solos e capturar carbono da atmosfera, é outro exemplo. Projetos neste campo incluem práticas como agroflorestas, agricultura de conservação e integração lavoura-pecuária (ILP), entre outras técnicas que visam aumentar a produtividade por hectare e reduzir o impacto ambiental.
A economia circular e a gestão de resíduos também se destacam. Projetos que visam reduzir o desperdício e promover a reutilização, reciclagem e recuperação de materiais são essenciais para uma transição sustentável. Isso inclui iniciativas de gestão de resíduos, reciclagem de plásticos e metais, produção de energia a partir de resíduos, entre outras soluções.
Estes exemplos ilustram o potencial de soluções criativas e tecnologicamente avançadas que têm impulsionado a agenda da transição energética. Dada a complexidade dos desafios das alterações climáticas, é essencial uma ação coordenada de vários atores, incluindo governos, empresas e sociedade civil.
Os investidores desempenham um papel central neste processo, fornecendo o capital necessário, impulsionando a inovação e promovendo um futuro mais sustentável e resiliente para todos.
Livia Branco é sócia e diretora da Venture Capital da VOX Capital.